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domingo, março 04, 2007

Tuva - Índia - Inglaterra

Tenho "passeado" nestes últimos dias por alguns sítios muito interessantes. Não resisto a partilhar as experiências. Se tiverem oportunidade, sigam-me as pegadas. Acreditem que vale a pena!

Tuva
Eu nunca tinha ouvido falar de "throat singing". Apresentaram-me os Chirgilchin como "aqueles homens das vozes grossas" e eu, associando-os àqueles homens da ópera, decidi logo que queria ir ver. Mas throat singing não tem nada a ver com ópera.

É difícil explicar o que é. Como não percebo nada da técnica, não posso falar sobre isso. Mas posso dizer-vos que é uma coisa verdadeiramente fenomenal. Os sons que aqueles quatro (uma mulher e três homens) faziam eram fantásticos! Desde o que me pareciam pássaros, a água, a balidos extremamente convincentes, a - gostei mesmo deste - uma voz cavernosa de trovão. Simplesmente maravilhoso.

As músicas eram de uma simplicidade campestre. Eram maioritariamente canções de "good wishes for horses" e "good wishes for animals, like horses, cow, sheep, goat". Os "good wishes" reinavam. Mesmo na sua despedida, o que nos foi desejado foram - surpresa - "good wishes" e "good grass for your sheep. And good gas for your cars".

Adorei!

Índia
Dança tradicional do Sul da Índia. Nunca tinha pensado, mas estas danças são uma mistura muito interessante de storytelling e de expressão corporal. No espectáculo que vi eram duas raparigas a dançar, uma obviamente mais dotada que a outra. A que dançava melhor tinha uma expressividade admirável. Vejam que até me fez lembrar a Kate Bush! (E para quem não sabe, este é um dos maiores elogios que eu podia fazer (; )

O mais giro são os gestos das mãos, e as posições que nos são familiares em estátuas de divindades hindus. É giro ver uma pessoa a sério a fazê-las. E quando nos apercebemos que cada posição, cada gesto tem um significado, apreciamos a dança de uma perspectiva muito mais iluminada.

Uma pequena amostra aqui.

Inglaterra
Há uns anos tive o enorme prazer de ver em Londres os Stomp. Não sei se foram o ponto alto da viagem, afinal de contas, quando se passeia com amigos há sempre muitos "pontos altos". Mas foi, definitivamente, uma experiência que me ficou gravada na memória. E sabendo que iam voltar a Portugal para alguns espectáculos, este era um que eu não podia mesmo perder. E a companhia tinha que ser a mesma (: <3>

Se não conhecem, imaginem algumas pessoas cheias de genica em palco com panelas, caixotes, sacos, canos, lavatórios (sim, leram bem, lavatórios!), alguidares,... tudo o que está à mão serve, tudo é ritmo, tudo é música. Se só de si isto já é bom, agora acrescentem uma dose de humor e não podia ser melhor.

Two thumbs up!

sábado, março 03, 2007

A Fuga das Galinhas devia ser real...

Hoje tive um sonho horrível. Sonhei que estava numa dessas quintas industriais/ matadouro. A "especialidade" ali eram as galinhas. Não me lembro de muita coisa, mas há alguns momentos que recordo claramente:

Primeiro, um homem a trazer um saco de plástico cheio de pintinhos. O saco era transparente e não tinha nenhum furo. Iam morrer sufocados. Ouviam-se os seus gritos desesperados lá dentro. O homem atirou o saco para uma prateleira onde estavam outros sacos iguais. Havia ali várias gaiolas onde se amontoavam imensas galinhas. Depois vi um outro homem a matar uma galinha com as suas próprias mãos. Arrancou-lhe a cabeça. Saí de lá a correr.

Há muito tempo que a crueldade animal não me assombrava o sono. Mas apesar de ter acordado triste, este sonho lembrou-me de tudo aquilo que está errado e contra o qual se deve lutar. Desistir - nunca.

Bem sei que a maioria dos que lêem este blog não estão interessados neste assunto. Mas peço-vos que gastem alguns minutos do vosso tempo a ver um dos vídeos que aqui vou deixar. São chocantes, mas não há acerca deste assunto que não seja. São "apenas" galinhas, mas as galinhas também sofrem. Por serem consideradas "estúpidas" (e na verdade, estão bem longe de o serem), isso não significa que mereçam morrer. Quantas pessoas estúpidas não há na Terra? Mas nem essas merecem morrer assim.

45 Days in Hell: The Life and Death of a Broiler Chicken

Virgil Butler Speaks Out - Intervista a um antigo "Funcionário do Mês" de um matadouro

Mepkin Abbey Monastery: Hell for Chickens - Investigação undercover

Lembro que todas as imagens captadas fazem parte do procedimento padrão em toda a indústria. Isto inclui Portugal.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

xD

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quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Momento Suntory #40: Bette Davis

Se há coisa que eu adoro é a descoberta de qualquer coisa extraordinária. Descobri, finalmente!, Bette Davis.

Sei, como aliás, sabe toda a gente, que há certos ícones no cinema que deixaram a sua marca bem profunda na História. Mas pensava que Bette Davis era uma espécie de Marilyn Monroe, ou seja, mais conhecida pela sua beleza do que propriamente pelo talento (apesar de eu achar que Marilyn Monroe tinha de facto algum talento). Mas agora sei a verdade: não são comuns as pessoas com o talento de Bette Davis. E se todos os seus desempenhos são como aquele, então está aqui um amor para a vida toda.

Já dizia a Madonna, "Bette Davis, we love you."

The Nanny (1965)

Arranjei este filme de Seth Holt simplesmente porque é uma produção dos estúdios Hammer. A regra geral é, "se é Hammer é bom", ou não fosse este um Grande Marco no cinema britânico. Mas se eu soubesse o que aí vinha...

A história é sobre uma ama dedicada à família disfuncional para a qual trabalha. O pai é severo, a mãe perturbada, o rapaz acabou de chegar de uma instituição, e a menina morreu. O rapaz, Joey, é o que se pode chamar de maquiavélico (ou apenas perturbado?), e os conflitos com a ama começam de imediato. O que então se desenrola é uma mistura perfeita de suspense e reviravoltas.

Jimmy Sangster escreveu o guião, baseado no romance homónimo de Marryam Modell (que já adicionei à minha lista to-read) . Os diálogos são perfeitos porque estão carregados de subtexto e a tensão entre a ama e Joey é enervante de tão realista.

A grande surpresa para mim foi mesmo Bette Davis. Confesso que quando comecei a ver o filme não fazia ideia de quem entrava. Quando vi o nome nos créditos iniciais pensei, "Bette Davis? Hmm..." Pois, a verdade é que eu nunca tinha visto nenhum filme de Bette Davis. Mas não me apedrejem ainda! Mereço o perdão dos Deuses do Cinema porque agora que conheço o trabalho desta Grande Senhora, até me atirava ao chão para lhe beijar a campa. Só há uma palavra que pode descrever a qualidade do desempenho de Bette Davis neste filme: Excepcional. E mesmo esta não transmite adequadamente a magnitude, o brilhantismo, o talento que Bette Davis encarna.

Apesar de ao ver The Nanny sermos quase ofuscados por Bette Davis, o resto do elenco é igualmente maravilhoso, com especial destaque para William Dix, o rapazinho perturbado extremamente convincente que me arrancou uma gargalhada ligeiramente despropositada com a frase "Can you sack her, then? Please?" Pamela Franklin, que, sim!, entrou em The Innocents também, está excelente. Merece elogios especiais por ter entrado em dois filmes que eu adoro, mas esses não os vou escrever para vos poupar à seca.

The Nanny é precisamente o meu tipo de filme. O ambiente é tão tenebroso que não se recomenda a crianças ou pessoas mais facilmente impressionáveis. E daí, com o lixo que agora se faz dentro do"infame" género do Terror, o público está tão mal habituado que é capaz de nem achar grande graça a este filme. Mas eu digo-vos, The Nanny é simplesmente um dos melhores filmes que já vi na vida, e sem dúvida o melhor que já vi este ano. Entrou directamente para o meu top pessoal, estando ao nível de The Innocents, o que é dizer bastante.

Aconselha-se vivamente. 10/10 (e mais teria se mais houvesse)

domingo, fevereiro 11, 2007

56%



"And if you don't vote you're gonna get a spanking!"

sábado, fevereiro 10, 2007

Babel (2006)

Sete nomeações para Oscar, incluindo melhor filme e melhor argumento original. É por estas e por outras que acho que a Academia está senil. Não que Babel não seja um filme bom, até é razoável, e não que a história não esteja bem escrita, porque tirando uma coisa ou outra até está. No entanto... a palavra que aqui se adequa é "overrated".

Classificação? 7.5, arredondado para baixo. 7/10.


ESTE POST CONTÉM SPOILERS (e é grande que se farta)


Babel são três histórias que se entrecruzam: Japão, Marrocos e México. A história do México é a melhor na generalidade. Não há incoerências, e tem uma das cenas mais poderosas de todo o filme, quando a ama deixa os miúdos no deserto. A sensação de angústia nessa cena está muito bem conseguida. Thumbs up especialmente para o rapazinho, Nathan Gamble, pelo seu "I'm not staying here alone".

A história de Marrocos é interessante, e tem a outra Grande Cena do filme, quando o rapaz se entrega às autoridades. O filme levanta algumas questões sobre a diferença de culturas: que polícia é aquela que não hesita em disparar contra duas crianças, nem em espancar um casal, e que educação têm aqueles miúdos que acham que carros numa estrada são alvos perfeitamente aceitáveis para testar o alcance de uma arma?
Por último a história passada em Tóquio sobre a rapariga surda-muda, que dava um filme interessante se se explorassem melhor alguns aspectos, mas pareceu ser um bocado "metida à força". Apesar de ser a sequência em que se explora de uma maneira mais evidente o problema da comunicação, a ligação com o fio condutor de Babel é muito tremida, para não dizer muito pouco plausível.

Isto com a agravante de ser de todas a que tem o final menos satisfatório. Não o adivinhei, mas devo dizer que o final que eu tinha previsto era bem melhor: no papel ela contava a verdade sobre o assassínio da mãe pelo pai e depois atirava-se da varanda. Mas não. O que acontece na realidade não faz muito sentido. Porque mentiu ela ao polícia quando falou sobre a morte da mãe? E para além de nos deixarem pendurados no assunto dessa morte (afinal o que é que aconteceu?), deixam-nos pendurados também no conteúdo da carta, o que muito me irrita porque parece uma jogada ao estilo de Lost In Translation mas falhada.
O problema de Babel é que se propõe a fazer algo que não consegue. Não sei se foi intencional ou não, mas há pontas soltas demais para o meu gosto. Começando pelo México: O que é que aconteceu ao Santiago? E as crianças? Desaparecem sem mais nem menos e apenas temos uma explicação à la "deus ex machina": estão bem, encontramo-las. Mas o que eu quero saber é como é que eles ficaram no deserto, porque é que sairam daquele sítio e como é que os encontraram. Como já disse, a cena em que ela os deixa é uma das melhores. Havia ali potencial que devia ter sido aproveitado, quanto mais não seja para dar ao espectador um fim plausível para aqueles dois miúdos.

Quanto ao que se passa em Marrocos, das três ainda é a sequência que tem o argumento menos esburacado, mas compensa com as cenas desnecessárias, das quais é exemplo máximo a protagonizada pelo Peeping Tom Junior na montanha. Não que eu ache que só deviam ser nomeados para grandes prémios como os Oscares filmes "politicamente correctos", mas aquela cena não serve nenhum propósito no filme e devia ter sido cortada. Não acrescenta nada à personagem, porque o que havia para ser dito sobre a maturidade do rapaz já tinha sido dito precisamente na cena "Peeping Tom", e havia outras maneiras eficazes de separar os dois irmãos de maneira a que a cena seguinte se mantivesse.
Também acho que não preciso de dizer que a cena de reconciliação definitiva entre o casal americano se torna ligeiramente ridícula pelo facto de ela estar a urinar para dentro de uma panela: é o que se chama anticlimático. Outro pormenor interessante é o pequeno twist cronológico do qual nos apercebemos no final. Apesar de ser um momento "ah! giro", a verdade é que é um bocado confuso, e se formos a ver bem a coisa, não é assim tão brilhante quanto isso.
Mas Babel comete outro grande pecado. Já o disse uma vez, e torno a dizê-lo: não é admissível um filme, ou qualquer outro tipo de entretenimento, incluir crueldade animal. Os animais não são objectos, não são "adereços", não são algo que podemos usar como bem entendermos. Cenas explícitas de crueldade animal, mais que chocantes, são bárbaras e retrógradas.
A cena da brutal decapitação de uma galinha não acrescenta rigorosamente nada ao filme. Não aprofunda a caracterização de nenhum personagem e não avança o enredo. É, em suma, o que se pode chamar, "palha". É triste que se tenha sacrificado uma vida em prol disso, e de uma forma tão mundana ainda por cima. E nem sequer sabemos se foi aquele o único take...
A galinha decapitada não é o único exemplo, porque também no segmento de Marrocos a crueldade animal prossegue. A realidade pode e deve ser retractada, mas para se dizer "vida rural" não é estritamente necessário ter uma cabra esfolada pendurada por uma pata. Para o destaque que este"adereço" tem no ecrã, só tenho a dizer que é triste o desperdício de mais uma vida para tão pouco.

Babel não foi supervisionado pela AHA ou por qualquer outra entidade equivalente (lembram-se do famoso "no animals were harmed in the making of this movie"?), o que significa que os animais neste filme, foram, de facto maltratados. Esta razão sozinha é mais do que suficiente para me levar a desacreditar a Academia e Iñárritu.
Para terminar, resta-me dizer que o filme é mais longo do que o necessário. Se fossem eliminadas algumas cenas, e cortados alguns dos ramos do enredo, o resultado seria um filme melhor.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Natureza = Uau

Achei que iam gostar de ver isto, como é um peixe todo transparente e tal.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

domingo, fevereiro 04, 2007

Meio cheio ou meio vazio? Completamente vazio.

Kate Bush escreveu, "I hold a cup of wisdom but there is nothing within."

Pois bem, eu até tento encher a minha taça de sapiência, mas como ela parece estar sempre vazia o que eu gostava de saber é quem é que a anda a esvaziar quando eu não estou a olhar?!