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terça-feira, julho 17, 2007

O_O!!!


Estou em estado de choque. Acho que isto é a coisa mais perturbadora que já vi na vida. Pior ainda do que cães a jogar póquer.

Mais aqui (cuidado!)

segunda-feira, julho 09, 2007

Basket Case ou O Estranho Caso do Freak no Cesto

lol @ monstro dentro do cesto

quinta-feira, abril 26, 2007

Pet Sematary (1989)

Não há volta a dar: eu adoro esta história. O livro é um dos meus preferidos de sempre, escrito pelo meu herói, Stephen King, que também escreveu o guião do filme (e faz uma aparição surpresa no cemitério!). A realização é de Mary Lambert, que também fez alguns videoclips da Madonna, incluindo Material Girl e Like a Prayer (quem não gosta deste clip?).

Tudo começa quando a família Creed (Louis e Rachel, mais os filhos Ellie e Gage) se muda para uma casa nova no Maine. Conhecem o vizinho Judd (Fred Gwynne), que os leva ao "Pet Sematary", um cemitério feito pelos miúdos da terra (erro ortográfico incluído) para os seus animais de estimação. A partir daí nada volta a ser o mesmo... Os acontecimentos são estranhos, alguns bastante (!!) chocantes, mas todos tocam no fundo do coração.

Como Pet Sematary é uma adaptação, as comparações com o livro do mesmo nome são inevitáveis. O livro é melhor. E, na minha opinião, deve ser lido primeiro. O que parecem inconsistências no filme não o são na realidade, e o livro explica-as satisfatoriamente. Há pormenores importantes como o Wendigo que simplesmente não estão no filme (o que deixou aqui esta miúda chateada...). Quanto ao final devia ter continuado como no livro: aberto.

Outra coisa: no livro a caracterização é simplesmente fenomenal (grande trunfo de Stephen King), mas no filme temos pouco disso. E ler o livro ajuda mesmo a criar empatia com as personagens, e a perceber os seus motivos (final do filme). Logo na primeira cena já eu gritava de felicidade, "Olha o Louis!!", e apareciam coraçõezinhos e florzinhas à minha volta. Mas acho que o actor Dale Midkiff também teve qualquer coisa a ver com isso.

Por falar em actores, nenhum deles é brilhante. De todos o melhor é capaz de ser mesmo Miko Hughes (Gage). O elo mais fraco é sem dúvida Blaze Berdahl (Ellie), que conseguiu estragar uma das cenas mais poderosas do filme todo ("Let God have his own [...]!").

Pet Sematary é uma história como há poucas, e o filme merece uma recomendação baseada só neste aspecto. Um filme para quem não gosta de filmes de terror, e também para quem gosta, que de certezinha vai adorar a Zelda (Andrew Hubatsek).

8 /10
(The Ramones - Pet Sematary, música do filme que não me sai da cabeça)

segunda-feira, abril 23, 2007

A Noite dos Mortos Vivos (1968)

O clássico dos clássicos filmes de zombies. A Noite dos Mortos Vivos de George A. Romero. Deixem que vos diga, o filme é excelente. Se ainda não viram não sei de que é que estão à espera.

A ideia base do filme é muito simples. Há mortos vivos lá fora, e eles gostam de carne humana. Então um grupo de algumas pessoas refugia-se numa casa isolada para tentar escapar-lhes. Até pode não parecer - eu acho que parece - mas o filme mete medo. Mete mesmo medo. Aqueles mortos tão lentos... E aquelas mãos pela janela... E são tantos... Todos tão lentos... Há qualquer coisa nesta ideia que me dá arrepios. E pesadelos.

Mas para além de cumprir o objectivo de um filme de terror, meter medo, A Noite dos Mortos Vivos é também um filme muito inteligente. Há um tom de crítica à situação da época, e o final... O final é interessante.

Gostei particularmente da primeira cena, não estava à espera que as coisas começassem logo. É giro ir descobrindo tudo (tudo?) com os protagonistas. Não sei bem se gostei das cenas com os zombies porque, bem, a verdade é que metem medo.

Depois de meia hora de filme lembrei-me que afinal já tinha visto isto, mas numa versão a cores. A preto e branco é melhor. E a preto e branco a cena do banquete zombie é mais fácil de aguentar...

Para ilustrar o post escolhi o cartaz espanhol porque "la noche de los muertos vivientes" tem piada, e porque a caveira que está dentro da cova me faz lembrar um macaco e isso dá-me vontade de rir. O cartaz sério está aqui.

9.5 / 10

quinta-feira, abril 12, 2007

Uma data de coisas

Ando há umas semanas para escrever aqui umas coisas, mas por uma ou outra razão não pûs cá os pés (os dedos?). Então aqui vai tudo o que ainda me lembro, condensadinho num só post.
1) Fui ver uma exposição no Júlio de Matos. Sim, no hospital. Chama-se "Objecto: simulacro" e é a coisa mais sinistra. Aconselho-vos a irem, mas não sozinhos. E especialmente não se o aquela-coisa-a-que-chamara-filme Hostel ainda estiver fresco na vossa memória. É que aquilo é mesmo sinistro e mete medo.
2) Afinal qual é a data de estreia do filme das Tartarugas Ninja? Parem de adiar! Que chatos, pá. Quero ver o filme! Teenage mutant ninja turtles... turtle power!
3) I wake up and he's dead. I wake up and he's alive.
Adorei o filme Premonição. Adorei e pronto. Não quero saber o que diz o imdb ou seja quem for. Se o forem ver, lembrem-se que o título é premonição, não é viagens estúpidas no tempo. Um aplauso para a Sandra Bullock, e outro para Mennan Yapo por uma e outra cena que eu gostei em particular.
4) Também gostei d' O Mundo Encantado de Beatrix Potter. Fofinho. E as paisagens, uau!
5) Já sei que vou levar uma pedrada por dizer isto, mas o Departed não é um filme assim tãaaaao maravilhoso. Muito grande = cenas desnecessárias.
6) Já viram o concerto da Madonna, Confessions on a Dance Floor? Recomendo, recomendo, recomendo muuuuuito!! Impossível não adorar. <333
Um dos meus momentos preferidos aqui (Isaac) , e outro aqui (Erotica/ You Thrill Me) . E para quem não percebeu a controvérsia (controvérsia estúpida, a bem dizer), pode ver a cruz em Live to Tell.
7) Malta, leiam O Perfume. E se vos apetecer uma dose de Girl Power, recomendo A Papisa Joana.
Agora estou numa de Brontë (Jane Eyre) e depois acho que vou para Virginia Woolf. Sugestões?
8) Ora bem, havia outra coisa que eu queria dizer... O que é que era?

Salvador Dalí: departed.

Sim, eu admito: tenho medo de ir ao dentista. É tudo uma questão de expectativas. Fui lá 3 vezes para tirar dentes do siso, certo? Pois da primeira eu ia super tranquila, sem medo, sem nervosismo. Era só ir ao dentista. Que mal é que isso tem? Mas cheguei lá e foi o que foi; fiquei traumatizada. Da segunda vez, estava preparada para o pior, e não foi tão mau. Claro que foi péssimo na mesma, mas não tão mau. E agora desta vez...

Eu ia mais ou menos calma. Era só um dente, era em cima (são mais fáceis, ao que parece), e a última vez tinha sido mais suave. Tudo apontava para um sofrimento menor. Mais uma vez, foi tudo contra as expectativas. Foi horrível! E quando digo horrível, quero mesmo dizer o-pior-de-sempre. Imaginem a pior coisa do mundo; foi assim que foi. No final tremia por todos os lados e só me apeteceu chorar, mas estava demasiado abalada para conseguir fazer isso sequer.

Aquilo é mesmo violento. A força toda que ele fez, nem sei como é que não me partiu o maxilar. E aqueles sons...! Acho que o pior são mesmo os sons. Se nunca ouviram um dente vosso a partir, considerem-se abençoados.

Normalmente guarda-se o melhor para o fim, não é? Este era mesmo o melhor dente. Raízes enormes. Cada uma virada para seu lado. Ouch. O espanto na voz do dentista: "Surreal! Este dente dente é surreal! Olha, Filipa: Salvador Dalí." Era um dente mesmo esquisito. Tinha logo que ser meu?!

Se eu tivesse um desejo só acreditem que era nunca mais ter que ir ao dentista fazer coisas horríveis destas. Aceito ir lá para ele me olhar para os dentes e dizer que está tudo bem, mas mais que isso não quero...

domingo, março 11, 2007

What Ever Happened to Good Horror Movies?

Há uma diferença abismal entre os filmes (de Terror) que se faziam dantes e os que se fazem hoje. Para muitos, talvez tenha tudo mudado para melhor, mas para mim... Resta-me suspirar, abanar a cabeça e perguntar-me, para onde foram os bons argumentistas, os bons realizadores,... as boas histórias, os bons filmes??

Isto porque ontem vi o The Hills Have Eyes (2006). Uma porcaria de filme!

Que mania é esta de só fazer filmes de terror com litros e litros de sangue, membros decepados, pessoas mutiladas, mais sangue, mais mutilação, mais violência? É uma tristeza. A maioria dos filmes de terror hoje em dia tem o esqueleto de uma história (quando o tem), e o resto é preenchido com sangue, violência e explosões. E o que resulta daqui é uma audiência feliz? Incompreensível. Como é que ontem ouvi uma miúda dizer "que fixe!", num tom da mais profunda delícia, quando um homem no ecrã estava a ser mutilado?

Esta geração tem as prioridades trocadas. Não tenho problemas com quem gosta de filmes com muito sangue e violência (apesar de não perceber qual é a piada...), mas revolta-me ver esta mutilação ao género. Terror é algo que assusta, qualquer cosia sinistra, do oculto, que mete medo. Não é sinónimo de violência gratuita!

Dantes todos os filmes de terror tinham uma dose de suspense que não podia faltar. Havia sempre uma história com pés e cabeça, com um desenvolvimento coerente (que hoje em dia seria considerado "lento" na maior parte dos casos), e o terror, fosse ele representado por espíritos, monstros, miúdos maquiavélicos, ou o que fosse, ia surgindo aos poucos, num crescendo até ao desenlace final.

Nos filmes de terror de hoje em dia o desenvolvimento das personagens é deixado para segundo plano. O suspense das duas uma: ou não existe, ou existe em versão bastarda, resumindo-se à dúvida: de onde é que vai sair o próximo louco com um machado? O choque já não vem das situações, mas sim da pura violência. O objectivo parece que deixou de ser "fazer um filme sinistro", para "vamos ver quem é que consegue enojar mais o público". Cenas explícitas de tortura, mutilação, morte, violência: onde é que isto é sinistro? Onde é que isto é assustador? Isto limita-se a meter nojo e a ser perturbador, mas perturbador apenas por ser excessivamente violento. Qualquer pessoa consegue imaginar duas horas de violência gratuita com uma história-fantoche a servir de desculpa. Mas quantos conseguem fazer duas horas de verdadeiro Terror?

Não digo que um filme com mutantes malvados, canibais e amigos de picaretas não meta medo. Mete, claro que mete. Toda a gente tem medo de sofrimento físico. Mas não é sinistro. Não é creepy. É só nojento. Mas duas horas de nojo e repulsa não fazem um bom filme.

O que é uma cena de carnificina em The Hills Have Eyes comparado com Nosferatu levantando-se do caixão, ou o grupo de crianças de Village of the Damned (original) a passearem-se pela aldeia? E quem é que prefere a tortura de Hostel à cena do lago em Let's Scare Jessica to Death, ou a distorção e dúvida sentidas em The Innocents? Cenas em que alguém é esfaqueado até à morte, ou leva com um machado na cabeça e saem os miolos todos, chocam no momento, e talvez até nos mantenham acordados à noite, mas não chegam aos calcanhares do medo causado por cenas que pelo contexto são tenebrosas, como a Ama a espreitar à porta do quarto do pequeno Joey (The Nanny). O pior é que esta ideia de que o Terror equivale a um banho de sangue está tão embrenhada nas audiências de hoje que é possível ouvir coisas como "Peeping Tom não é um filme de terror"...

Mas claro, não sejamos extremistas. Uma dose de violência não estraga automaticamente um filme. E nem tudo é mau nos filmes de hoje em dia. Há alguns que têm bons pontos de partida. Voltando ao The Hills have Eyes, acho que a ideia de se estar sozinho no deserto com um bando de mutantes loucos uma coisa mesmo assustadora. Mas tinham que estragar o filme com aquele sangue todo?? Parece que não aprenderam as lições dadas pelos grandes mestres... Vejam Os Pássaros, que é dos filmes mais sinistros que tive o prazer de ver, e digam-me: a violência faz alguma falta? Aquela imagem do recreio da escola coberto de corvos é mais assustadora que mil The Hills Have Eyes juntos.

E é aqui que me chateiam os remakes. Vão pegar numa coisa que era boa e transformam-na na maior carnificina possível. Juro que apedrejo alguém se o falado remake de The Bad Seed for para a frente... Viram o que o João Carpinteiro fez ao brilhante Village of the Damned: pegou num óptimo filme e estragou-o com violência excessiva e um twist ridículo que supostamente tem a função de aumentar o elemento choque da história. Nem me dei sequer ao trabalho de ir ver o remake do The Omen.

Enfim. E ainda se admiram por eu "ver tantos filmes antigos"...

"What Ever Happened to Baby Jane?" (1962)

Uau!

Foi a única palavra que consegui dizer ou pensar depois de ter visto Baby Jane (como se viu). Tudo neste filme é perfeito. E quando digo tudo quero dizer T-U-D-O mesmo! Não há uma única falha, nem uma. "What Ever Happened to Baby Jane?" é uma obra de arte.

O filme conta a história de duas irmãs, "Baby" Jane Hudson, criança-estrela e Blanche Hudson, a irmã mais velha que mais tarde acaba por se tornar uma estrela de cinema com muito mais sucesso do que a irmã. Claro que se desenvolvem algumas invejas, até que Blanche fica presa a uma cadeira de rodas depois de um "acidente"... e é Jane quem tem que cuidar dela. Mas de acordo com o dicionário de Jane, "cuidar" corresponde a "fazer a vida negra"...

Blanche
You wouldn't be able to do these awful things to me if I weren't still in this chair.

Jane
But you ARE, Blanche! You ARE in that chair!

Este filme tem um dos guiões mais inteligentes que já vi. Cada fala é um tiro certeiro - bullseye, everytime. A sequência dos acontecimentos é perfeita, e todos os momentos contribuem para o clima de suspense ao longo de todo o filme. E só há uma palavra para o final: perfeito. O mérito é de Lukas Heller (guião), e de Henry Farrell (romance), que por acaso também escreveu The House That Would Not Die.

Os louros vão também para Robert Aldrich, realizador. Este é definitivamente um nome que quero recordar no futuro. Se "Baby Jane" não é o seu melhor trabalho, o homem era um génio!

Mas, claro, a verdadeira estrela do filme é Bette Davis. Joan Crawford também brilha, devo dizer, e bem, mas não chega aos calcanhares de Bette Davis. Se o filme fosse mais comprido morríamos todos de falha coronária - sim, a representação é assim tão poderosa.

Baby Jane é uma personagem tão instável, tão depressa é doce como uma criança como má como as cobras, ora é atenciosa ora calculista. E Bette Davis mostra isto de uma forma tão real que mete medo. Há vários momentos especialmente memoráveis: o telefonema em que se faz passar pela irmã, o confronto com Elvira, e todo o conjunto de cenas finais. As cenas com as duas irmãs são fenomenais. Até saltam faíscas!

Fiquei presa ao ecrã desde o primeiro minuto, e não descolei até ao fim do filme. Estive, literalmente, de queixo caído em vários momentos. Eis que aconteceu o inesperado: Lost In Translation foi destronado. Apresento-vos "What Ever Happened to Baby Jane?", o meu filme preferido.

20/10 - Vós sois tolos se não virdes este filme. Trailer aqui.

Em nota de rodapé, tenho a dizer que nutro de momento uma grande falta de consideração pelos Oscares. Tenho uns mil pontos de respeito negativos pela Academia. A partir do momento em que "Whatever Happened to Baby Jane?" não ganha melhor cinematografia nem melhor filme (nem sequer foi nomeado!) e Bette Davis não ganha melhor actriz (ainda estou a recuperar do colapso que tive quando descobri esta)...

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

The Nanny (1965)

Arranjei este filme de Seth Holt simplesmente porque é uma produção dos estúdios Hammer. A regra geral é, "se é Hammer é bom", ou não fosse este um Grande Marco no cinema britânico. Mas se eu soubesse o que aí vinha...

A história é sobre uma ama dedicada à família disfuncional para a qual trabalha. O pai é severo, a mãe perturbada, o rapaz acabou de chegar de uma instituição, e a menina morreu. O rapaz, Joey, é o que se pode chamar de maquiavélico (ou apenas perturbado?), e os conflitos com a ama começam de imediato. O que então se desenrola é uma mistura perfeita de suspense e reviravoltas.

Jimmy Sangster escreveu o guião, baseado no romance homónimo de Marryam Modell (que já adicionei à minha lista to-read) . Os diálogos são perfeitos porque estão carregados de subtexto e a tensão entre a ama e Joey é enervante de tão realista.

A grande surpresa para mim foi mesmo Bette Davis. Confesso que quando comecei a ver o filme não fazia ideia de quem entrava. Quando vi o nome nos créditos iniciais pensei, "Bette Davis? Hmm..." Pois, a verdade é que eu nunca tinha visto nenhum filme de Bette Davis. Mas não me apedrejem ainda! Mereço o perdão dos Deuses do Cinema porque agora que conheço o trabalho desta Grande Senhora, até me atirava ao chão para lhe beijar a campa. Só há uma palavra que pode descrever a qualidade do desempenho de Bette Davis neste filme: Excepcional. E mesmo esta não transmite adequadamente a magnitude, o brilhantismo, o talento que Bette Davis encarna.

Apesar de ao ver The Nanny sermos quase ofuscados por Bette Davis, o resto do elenco é igualmente maravilhoso, com especial destaque para William Dix, o rapazinho perturbado extremamente convincente que me arrancou uma gargalhada ligeiramente despropositada com a frase "Can you sack her, then? Please?" Pamela Franklin, que, sim!, entrou em The Innocents também, está excelente. Merece elogios especiais por ter entrado em dois filmes que eu adoro, mas esses não os vou escrever para vos poupar à seca.

The Nanny é precisamente o meu tipo de filme. O ambiente é tão tenebroso que não se recomenda a crianças ou pessoas mais facilmente impressionáveis. E daí, com o lixo que agora se faz dentro do"infame" género do Terror, o público está tão mal habituado que é capaz de nem achar grande graça a este filme. Mas eu digo-vos, The Nanny é simplesmente um dos melhores filmes que já vi na vida, e sem dúvida o melhor que já vi este ano. Entrou directamente para o meu top pessoal, estando ao nível de The Innocents, o que é dizer bastante.

Aconselha-se vivamente. 10/10 (e mais teria se mais houvesse)

terça-feira, novembro 14, 2006

O Nevoeiro

É tão bom ter surpresas destas. Estava eu aqui descansadinha quando olho pela janela e eis que me deparo com um nevoeiro simplesmente fenomenal. Não tenho memória de alguma vez ter visto um nevoeiro tão denso. É que não se vê um palmo à frente do nariz - literalmente!

Fiquei a olhar pela janela, encantada. O nevoeiro está tão perfeito que é fácil imaginar zombies e outras criaturas malvadas a sair ali de dentro, coisas estranhas, fantasmas,... Se alguém já viu O Nevoeiro, de John Carpenter, sabe do que é que eu estou a falar.

O resto do ambiente também ajuda. Sozinha em casa, luzes apagadas... E o toque de mestre: lá fora, algures no meio deste nevoeiro todo, estão dois gatos assanhados com qualquer coisa...

Se nunca mais souberem nada de mim é porque o nevoeiro me engoliu.

domingo, agosto 27, 2006

He has the heart of a little boy

...and he keeps it in a jar on his desk.

*
Já dei a minha opinião sobre o questionável talento de Bram Stoker, por isso agora está na altura de o fazer sobre o (in)questionável talento de Stephen King. Antes que parem de ler já nesta linha convencidos que sou doida por ler este homem, peço-vos que deitem pela janela todas as ideias pré-concebidas que tenham sobre o Stevie e a sua prosa. Melhor ainda, metam-nas dentro de um saco com pedras e atirem-nas ao mar para nunca mais as verem.
Não sei porque é que Stephen King é tão mal visto pelas chamadas pessoas que gostam de "boa literatura". A ideia comum é que os livros dele são compostos apenas por mortes sangrentas atrás de mortes sangrentas, personagens demóniacas e assassinos de sangue frio, mas nada podia estar mais longe da verdade. Sim, alguns personagens morrem. Sim, há vilões demoníacos e alguns bastante doentes. Mas há muito mais para além disso.
Conhecem The Green Mile (À Espera de um Milagre), aquele filme maravilhoso com Tom Hanks? Adivinhem quem escreveu a história. E The Shawshank Redemption (Os Prisioneiros de Shawshank)? Também é dele. E mesmo os clássicos do cinema de terror como Carrie e The Shining têm bastante mais profundidade nos livros, especialmente The Shining, que, na minha opinião, sofreu bastante na adaptação ao cinema (ainda assim, não deixa de ser um filme brilhante).
O grande trunfo de Stephen King é a caracterização. Ele consegue mesmo criar personagens que saltam das páginas com vida. Personagens das quais queremos saber, com as quais nos preocuparíamos se estivessem presas no castelo do Drácula... Algumas das personagens mais deliciosas e adoráveis que já tive o prazer de ler foram criadas por ele. Assim de cabeça lembro-me de Duddits (Dreamcatcher - por favor ignorem o filme que não passa de uma cruel mutilação do livro, especialmente o fim) e Wolf (The Talisman).
Em cada livro (uns mais que outros, é certo), King conquista o coração do leitor. O último que li dele, por exemplo. Pet Sematary. Esta história... Bem, indo directa ao assunto: chorei. Já não me acontecia chorar a ler um livro desde que li Coração (Edmundo de Amicis) quando era miúda. E não foi apenas uma lagrimita, não, foi um banho de lágrimas. Visto de fora parece ridículo: chorar a ler um livro sobre animais que regressam do além. Mas é aí mesmo que está a magia de Stephen King. Ele é verdadeiramente um mestre das palavras.
Agora que já escrevi a carta de amor e que já vos deixei a todos com tanta vontade de o ler que nem se aguentam, aqui ficam algumas sugestões para quem estiver interessado. Se puderem leiam em inglês, porque ele joga muito com as palavras e isso perde-se nas traduções. Tomei a liberdade de acrecentar pequenas sinopses tão más como as que aparecem na programação dos canais Lusomundo. Ignorem-nas por favor e leiam antes as sinopses da contra-capa se quiserem ficar elucidados sobre o conteúdo da história.
* The Shining (família com pai alcoólico e filho com poderes psíquicos presa num hotel assombrado durante um inverno)
* Pet Sematary (família descobre um estranho cemitério de animais)
* Misery (escritor feito prisioneiro por fã doida com porca de estimação)
* The Talisman (colaboração com Peter Straub) (jovem rapaz viaja para dimensão paralela para salvar a sua mãe)
* Toda a série The Dark Tower (cowboy de universo alternativo procura a Torre Negra)
P.S. - Em relação a vampiros e histórias bem escritas sobre os mesmos, arranjei na Waterstone's de Cork um exemplar de 'Salem's Lot. Depois vos direi se é melhor que Drácula.

sábado, agosto 12, 2006

Drácula de Bram Stoker

As pessoas que me conhecem e mantiveram contacto comigo em 1993 ou de 13 de Junho a 20 de Outubro de 2005 sabem que eu tenho uma obsessão pontual com vampiros, causadora de alguns devaneios pouco saudáveis. Querer dormir num caixão, por exemplo. Coisas mórbidas desse estilo.
Ora tendo isto em conta, e dada a minha paixão por livros, era vergonhoso nunca ter lido O Grande Clássico, Drácula de Bram Stoker. Decidi resolver esta situação e... que dizer? Fiquei verdadeiramente surpreendida. O livro é um ASCO! Nunca na vida li nada tão mal escrito.
A tradução era intragável, especialmente no diálogo. O tradutor sabia que o travessão indica discuros directo mas parecia lembrar-se do caso só de vez em quando. Acreditem que é irritante. A pontuação também era uma abominação. Não sei se isto era culpa do tradutor ou do autor, mas não estou a ver um tradutor a mudar a pontuação como lhe apetece. Seja como for, "- Porque eu, sei." nauseou-me. E há muitas muitas outras da mesma raça...
Mesmo supondo que estas coisas eram culpa apenas do tradutor, mutilador de narrativas por excelência, o resto do livro continua a ser horrível e aí a culpa é mesmo de Stoker. Para começar decidiu escrever o livro todo em cartas, diários e telegramas. Isto podia não ser mau, mas é. Há certos detalhes importantes que são referidos apenas de passagem, incluindo alguns que podiam ajudar ao crescendo do terror e que acabam por não fazer nada.
O suspense é muito fraquinho, mas o desenvolvimento das personagem não fica atrás. Depois de ler a primeira parte, em que Jonathan Harker relata o seu encontro com o Conde, estava-me pouco marimbando para o destino desse Harker, e não porque não gostasse dele mas sim porque a narrativa não me levou a estabelecer qualquer tipo de relação com ele, nem com a maioria das outras personagens. O exemplo flagrante é o próprio Conde Drácula. Relativamente a um vilão parece-me que o leitor deveria sentir medo ou ódio, ou as duas coisas. Mas Drácula não inspira medo, nem ódio, nem nada de nada. Limita-se a ser o antagonista, que por acaso bebe sangue e é suposto ser a encarnação de todo o mal. Posso não ter um diploma nisto, mas sou da opinião que as histórias bem escritas estabelecem uma ligação entre leitor e personagens. Bram Stoker falhou.
Outra característica que as histórias bem contadas têm é a de nos darem a acção num crescendo, o conflito vai-se acentuando até chegar ao clímax, onde toda a trama se resolve. O maior problema de Drácula não é a resolução, apesar de essa também deixar muito a desejar, mas sim o suposto crescendo que a antecede, que consiste em capítulos e capítulos em que não acontece rigorosamente nada. Quando chega o fim da história o leitor já adormeceu... Bram Stoker voltou a falhar.
E isto que já disse nem sequer é o pior. É inadmissível, inacreditável, mas é verdade: Bram Stoker muda de tempo verbal como quem muda de camisa. Num parágrafo Van Helsing disse e no parágrafo a seguir Mina diz. Numa linha Jonathan Harker abre o livro e na seguinte fechou o livro. Como é que é possível?? Até os miúdos sabem que não se muda assim o tempo verbal sem mais nem menos, como é que um livro que ainda por cima é considerado um Clássico incorre num erro destes? Não consigo entender.
Em suma, Drácula é um livro perfeitamente abominável. A única coisa que o salva de ser uma experiência dolorosa é a história, que, verdade seja dita, é uma boa história. Devia era ter sido escrita por alguém que soubesse escrever... Stephen King seria a minha sugestão.