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domingo, junho 03, 2007

Apresentando: Take 3

Ou: Publicidade Descarada

Eu, ela e ele decidimos começar este projecto. É sobre filmes. Visitem-nos por lá.

terça-feira, maio 08, 2007

Heavenly Creatures (1994)

Não há muito que eu consiga dizer agora sobre este filme. Estou naquele estado em que se fica quando vemos um filme que nos impressiona muito, e francamente, mais preocupada com a probabilidade de vir a sonhar com isto esta noite do que com a coerência ou qualidade deste post.

Talvez mais tarde escreva um comentário decente. Por agora digo só que o filme é maravilhoso quase até ao fim; a partir de determinado momento torna-se terrível e, não há outra palavra, impressionante...

Um grande filme baseado numa história real, de Peter Jackson, com Kate Winslet e Melanie Lynskey. Recomenda-se.

9 /10

quinta-feira, abril 26, 2007

Pet Sematary (1989)

Não há volta a dar: eu adoro esta história. O livro é um dos meus preferidos de sempre, escrito pelo meu herói, Stephen King, que também escreveu o guião do filme (e faz uma aparição surpresa no cemitério!). A realização é de Mary Lambert, que também fez alguns videoclips da Madonna, incluindo Material Girl e Like a Prayer (quem não gosta deste clip?).

Tudo começa quando a família Creed (Louis e Rachel, mais os filhos Ellie e Gage) se muda para uma casa nova no Maine. Conhecem o vizinho Judd (Fred Gwynne), que os leva ao "Pet Sematary", um cemitério feito pelos miúdos da terra (erro ortográfico incluído) para os seus animais de estimação. A partir daí nada volta a ser o mesmo... Os acontecimentos são estranhos, alguns bastante (!!) chocantes, mas todos tocam no fundo do coração.

Como Pet Sematary é uma adaptação, as comparações com o livro do mesmo nome são inevitáveis. O livro é melhor. E, na minha opinião, deve ser lido primeiro. O que parecem inconsistências no filme não o são na realidade, e o livro explica-as satisfatoriamente. Há pormenores importantes como o Wendigo que simplesmente não estão no filme (o que deixou aqui esta miúda chateada...). Quanto ao final devia ter continuado como no livro: aberto.

Outra coisa: no livro a caracterização é simplesmente fenomenal (grande trunfo de Stephen King), mas no filme temos pouco disso. E ler o livro ajuda mesmo a criar empatia com as personagens, e a perceber os seus motivos (final do filme). Logo na primeira cena já eu gritava de felicidade, "Olha o Louis!!", e apareciam coraçõezinhos e florzinhas à minha volta. Mas acho que o actor Dale Midkiff também teve qualquer coisa a ver com isso.

Por falar em actores, nenhum deles é brilhante. De todos o melhor é capaz de ser mesmo Miko Hughes (Gage). O elo mais fraco é sem dúvida Blaze Berdahl (Ellie), que conseguiu estragar uma das cenas mais poderosas do filme todo ("Let God have his own [...]!").

Pet Sematary é uma história como há poucas, e o filme merece uma recomendação baseada só neste aspecto. Um filme para quem não gosta de filmes de terror, e também para quem gosta, que de certezinha vai adorar a Zelda (Andrew Hubatsek).

8 /10
(The Ramones - Pet Sematary, música do filme que não me sai da cabeça)

terça-feira, abril 24, 2007

Sympathy for Lady Vengeance (2005)

Filme coreano de Park Chan-Wook, realizador de Oldboy. Uma mulher é presa por um crime que não cometeu, e quando sai vai vingar-se do verdadeiro criminoso. A história tem mais que se lhe diga, mas isso vão vocês descobrir se virem o filme.

A cinematografia é mesmo muito boa. Acho que os asiáticos têm uma costela cinematográfica muito artística e poética. Ou pelo menos todos os realizadores asiáticos que eu conheço têm. É um filme, no geral, interessante, com alguns pormenores giros e humor e tal.

Mas há uma cena que para mim estraga o filme todo. E não falo sequer da bebedeira absurda entre os australianos e a "Lady Vengeance", apesar de essa ser uma que eu cortaria sem hesitar. Mas não, a pior cena do filme, e que também devia ter sido cortada, ou pelo menos muito suavizada, é uma que envolve uns miúdos... É um dos momentos mais impressionantes que já vi em cinema ou televisão. É impressionante de mais. Nem dá sequer para descrever a carga emocional negativa da cena. Posso dizer-vos que para mim foi impossível não chorar, e mesmo agora, só de relembrar... Nem sei onde é que foram arranjar miúdos tão convincentes.

Portanto, fica o aviso. Se não gostam de ver crianças em situações perigosas/ violentas/ macabras, mais vale não verem o filme. Não vale a pena, porque o filme não é nenhuma maravilha por aí além, e vão ficar com aquelas imagens gravadas na memória para sempre.

Só para acabar com qualquer coisa positiva: é giro ver tofu em filmes.

7 /10 (Nota inflacionada pela cinematografia)

segunda-feira, abril 23, 2007

A Noite dos Mortos Vivos (1968)

O clássico dos clássicos filmes de zombies. A Noite dos Mortos Vivos de George A. Romero. Deixem que vos diga, o filme é excelente. Se ainda não viram não sei de que é que estão à espera.

A ideia base do filme é muito simples. Há mortos vivos lá fora, e eles gostam de carne humana. Então um grupo de algumas pessoas refugia-se numa casa isolada para tentar escapar-lhes. Até pode não parecer - eu acho que parece - mas o filme mete medo. Mete mesmo medo. Aqueles mortos tão lentos... E aquelas mãos pela janela... E são tantos... Todos tão lentos... Há qualquer coisa nesta ideia que me dá arrepios. E pesadelos.

Mas para além de cumprir o objectivo de um filme de terror, meter medo, A Noite dos Mortos Vivos é também um filme muito inteligente. Há um tom de crítica à situação da época, e o final... O final é interessante.

Gostei particularmente da primeira cena, não estava à espera que as coisas começassem logo. É giro ir descobrindo tudo (tudo?) com os protagonistas. Não sei bem se gostei das cenas com os zombies porque, bem, a verdade é que metem medo.

Depois de meia hora de filme lembrei-me que afinal já tinha visto isto, mas numa versão a cores. A preto e branco é melhor. E a preto e branco a cena do banquete zombie é mais fácil de aguentar...

Para ilustrar o post escolhi o cartaz espanhol porque "la noche de los muertos vivientes" tem piada, e porque a caveira que está dentro da cova me faz lembrar um macaco e isso dá-me vontade de rir. O cartaz sério está aqui.

9.5 / 10

quinta-feira, abril 12, 2007

Uma data de coisas

Ando há umas semanas para escrever aqui umas coisas, mas por uma ou outra razão não pûs cá os pés (os dedos?). Então aqui vai tudo o que ainda me lembro, condensadinho num só post.
1) Fui ver uma exposição no Júlio de Matos. Sim, no hospital. Chama-se "Objecto: simulacro" e é a coisa mais sinistra. Aconselho-vos a irem, mas não sozinhos. E especialmente não se o aquela-coisa-a-que-chamara-filme Hostel ainda estiver fresco na vossa memória. É que aquilo é mesmo sinistro e mete medo.
2) Afinal qual é a data de estreia do filme das Tartarugas Ninja? Parem de adiar! Que chatos, pá. Quero ver o filme! Teenage mutant ninja turtles... turtle power!
3) I wake up and he's dead. I wake up and he's alive.
Adorei o filme Premonição. Adorei e pronto. Não quero saber o que diz o imdb ou seja quem for. Se o forem ver, lembrem-se que o título é premonição, não é viagens estúpidas no tempo. Um aplauso para a Sandra Bullock, e outro para Mennan Yapo por uma e outra cena que eu gostei em particular.
4) Também gostei d' O Mundo Encantado de Beatrix Potter. Fofinho. E as paisagens, uau!
5) Já sei que vou levar uma pedrada por dizer isto, mas o Departed não é um filme assim tãaaaao maravilhoso. Muito grande = cenas desnecessárias.
6) Já viram o concerto da Madonna, Confessions on a Dance Floor? Recomendo, recomendo, recomendo muuuuuito!! Impossível não adorar. <333
Um dos meus momentos preferidos aqui (Isaac) , e outro aqui (Erotica/ You Thrill Me) . E para quem não percebeu a controvérsia (controvérsia estúpida, a bem dizer), pode ver a cruz em Live to Tell.
7) Malta, leiam O Perfume. E se vos apetecer uma dose de Girl Power, recomendo A Papisa Joana.
Agora estou numa de Brontë (Jane Eyre) e depois acho que vou para Virginia Woolf. Sugestões?
8) Ora bem, havia outra coisa que eu queria dizer... O que é que era?

domingo, março 11, 2007

What Ever Happened to Good Horror Movies?

Há uma diferença abismal entre os filmes (de Terror) que se faziam dantes e os que se fazem hoje. Para muitos, talvez tenha tudo mudado para melhor, mas para mim... Resta-me suspirar, abanar a cabeça e perguntar-me, para onde foram os bons argumentistas, os bons realizadores,... as boas histórias, os bons filmes??

Isto porque ontem vi o The Hills Have Eyes (2006). Uma porcaria de filme!

Que mania é esta de só fazer filmes de terror com litros e litros de sangue, membros decepados, pessoas mutiladas, mais sangue, mais mutilação, mais violência? É uma tristeza. A maioria dos filmes de terror hoje em dia tem o esqueleto de uma história (quando o tem), e o resto é preenchido com sangue, violência e explosões. E o que resulta daqui é uma audiência feliz? Incompreensível. Como é que ontem ouvi uma miúda dizer "que fixe!", num tom da mais profunda delícia, quando um homem no ecrã estava a ser mutilado?

Esta geração tem as prioridades trocadas. Não tenho problemas com quem gosta de filmes com muito sangue e violência (apesar de não perceber qual é a piada...), mas revolta-me ver esta mutilação ao género. Terror é algo que assusta, qualquer cosia sinistra, do oculto, que mete medo. Não é sinónimo de violência gratuita!

Dantes todos os filmes de terror tinham uma dose de suspense que não podia faltar. Havia sempre uma história com pés e cabeça, com um desenvolvimento coerente (que hoje em dia seria considerado "lento" na maior parte dos casos), e o terror, fosse ele representado por espíritos, monstros, miúdos maquiavélicos, ou o que fosse, ia surgindo aos poucos, num crescendo até ao desenlace final.

Nos filmes de terror de hoje em dia o desenvolvimento das personagens é deixado para segundo plano. O suspense das duas uma: ou não existe, ou existe em versão bastarda, resumindo-se à dúvida: de onde é que vai sair o próximo louco com um machado? O choque já não vem das situações, mas sim da pura violência. O objectivo parece que deixou de ser "fazer um filme sinistro", para "vamos ver quem é que consegue enojar mais o público". Cenas explícitas de tortura, mutilação, morte, violência: onde é que isto é sinistro? Onde é que isto é assustador? Isto limita-se a meter nojo e a ser perturbador, mas perturbador apenas por ser excessivamente violento. Qualquer pessoa consegue imaginar duas horas de violência gratuita com uma história-fantoche a servir de desculpa. Mas quantos conseguem fazer duas horas de verdadeiro Terror?

Não digo que um filme com mutantes malvados, canibais e amigos de picaretas não meta medo. Mete, claro que mete. Toda a gente tem medo de sofrimento físico. Mas não é sinistro. Não é creepy. É só nojento. Mas duas horas de nojo e repulsa não fazem um bom filme.

O que é uma cena de carnificina em The Hills Have Eyes comparado com Nosferatu levantando-se do caixão, ou o grupo de crianças de Village of the Damned (original) a passearem-se pela aldeia? E quem é que prefere a tortura de Hostel à cena do lago em Let's Scare Jessica to Death, ou a distorção e dúvida sentidas em The Innocents? Cenas em que alguém é esfaqueado até à morte, ou leva com um machado na cabeça e saem os miolos todos, chocam no momento, e talvez até nos mantenham acordados à noite, mas não chegam aos calcanhares do medo causado por cenas que pelo contexto são tenebrosas, como a Ama a espreitar à porta do quarto do pequeno Joey (The Nanny). O pior é que esta ideia de que o Terror equivale a um banho de sangue está tão embrenhada nas audiências de hoje que é possível ouvir coisas como "Peeping Tom não é um filme de terror"...

Mas claro, não sejamos extremistas. Uma dose de violência não estraga automaticamente um filme. E nem tudo é mau nos filmes de hoje em dia. Há alguns que têm bons pontos de partida. Voltando ao The Hills have Eyes, acho que a ideia de se estar sozinho no deserto com um bando de mutantes loucos uma coisa mesmo assustadora. Mas tinham que estragar o filme com aquele sangue todo?? Parece que não aprenderam as lições dadas pelos grandes mestres... Vejam Os Pássaros, que é dos filmes mais sinistros que tive o prazer de ver, e digam-me: a violência faz alguma falta? Aquela imagem do recreio da escola coberto de corvos é mais assustadora que mil The Hills Have Eyes juntos.

E é aqui que me chateiam os remakes. Vão pegar numa coisa que era boa e transformam-na na maior carnificina possível. Juro que apedrejo alguém se o falado remake de The Bad Seed for para a frente... Viram o que o João Carpinteiro fez ao brilhante Village of the Damned: pegou num óptimo filme e estragou-o com violência excessiva e um twist ridículo que supostamente tem a função de aumentar o elemento choque da história. Nem me dei sequer ao trabalho de ir ver o remake do The Omen.

Enfim. E ainda se admiram por eu "ver tantos filmes antigos"...

"What Ever Happened to Baby Jane?" (1962)

Uau!

Foi a única palavra que consegui dizer ou pensar depois de ter visto Baby Jane (como se viu). Tudo neste filme é perfeito. E quando digo tudo quero dizer T-U-D-O mesmo! Não há uma única falha, nem uma. "What Ever Happened to Baby Jane?" é uma obra de arte.

O filme conta a história de duas irmãs, "Baby" Jane Hudson, criança-estrela e Blanche Hudson, a irmã mais velha que mais tarde acaba por se tornar uma estrela de cinema com muito mais sucesso do que a irmã. Claro que se desenvolvem algumas invejas, até que Blanche fica presa a uma cadeira de rodas depois de um "acidente"... e é Jane quem tem que cuidar dela. Mas de acordo com o dicionário de Jane, "cuidar" corresponde a "fazer a vida negra"...

Blanche
You wouldn't be able to do these awful things to me if I weren't still in this chair.

Jane
But you ARE, Blanche! You ARE in that chair!

Este filme tem um dos guiões mais inteligentes que já vi. Cada fala é um tiro certeiro - bullseye, everytime. A sequência dos acontecimentos é perfeita, e todos os momentos contribuem para o clima de suspense ao longo de todo o filme. E só há uma palavra para o final: perfeito. O mérito é de Lukas Heller (guião), e de Henry Farrell (romance), que por acaso também escreveu The House That Would Not Die.

Os louros vão também para Robert Aldrich, realizador. Este é definitivamente um nome que quero recordar no futuro. Se "Baby Jane" não é o seu melhor trabalho, o homem era um génio!

Mas, claro, a verdadeira estrela do filme é Bette Davis. Joan Crawford também brilha, devo dizer, e bem, mas não chega aos calcanhares de Bette Davis. Se o filme fosse mais comprido morríamos todos de falha coronária - sim, a representação é assim tão poderosa.

Baby Jane é uma personagem tão instável, tão depressa é doce como uma criança como má como as cobras, ora é atenciosa ora calculista. E Bette Davis mostra isto de uma forma tão real que mete medo. Há vários momentos especialmente memoráveis: o telefonema em que se faz passar pela irmã, o confronto com Elvira, e todo o conjunto de cenas finais. As cenas com as duas irmãs são fenomenais. Até saltam faíscas!

Fiquei presa ao ecrã desde o primeiro minuto, e não descolei até ao fim do filme. Estive, literalmente, de queixo caído em vários momentos. Eis que aconteceu o inesperado: Lost In Translation foi destronado. Apresento-vos "What Ever Happened to Baby Jane?", o meu filme preferido.

20/10 - Vós sois tolos se não virdes este filme. Trailer aqui.

Em nota de rodapé, tenho a dizer que nutro de momento uma grande falta de consideração pelos Oscares. Tenho uns mil pontos de respeito negativos pela Academia. A partir do momento em que "Whatever Happened to Baby Jane?" não ganha melhor cinematografia nem melhor filme (nem sequer foi nomeado!) e Bette Davis não ganha melhor actriz (ainda estou a recuperar do colapso que tive quando descobri esta)...

sexta-feira, março 09, 2007

Momento Suntory #42: "Oh really, did she like it?"



A qualidade da imagem é o que se pode chamar "uma bela caca", mas adorei este momento do filme.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

The Nanny (1965)

Arranjei este filme de Seth Holt simplesmente porque é uma produção dos estúdios Hammer. A regra geral é, "se é Hammer é bom", ou não fosse este um Grande Marco no cinema britânico. Mas se eu soubesse o que aí vinha...

A história é sobre uma ama dedicada à família disfuncional para a qual trabalha. O pai é severo, a mãe perturbada, o rapaz acabou de chegar de uma instituição, e a menina morreu. O rapaz, Joey, é o que se pode chamar de maquiavélico (ou apenas perturbado?), e os conflitos com a ama começam de imediato. O que então se desenrola é uma mistura perfeita de suspense e reviravoltas.

Jimmy Sangster escreveu o guião, baseado no romance homónimo de Marryam Modell (que já adicionei à minha lista to-read) . Os diálogos são perfeitos porque estão carregados de subtexto e a tensão entre a ama e Joey é enervante de tão realista.

A grande surpresa para mim foi mesmo Bette Davis. Confesso que quando comecei a ver o filme não fazia ideia de quem entrava. Quando vi o nome nos créditos iniciais pensei, "Bette Davis? Hmm..." Pois, a verdade é que eu nunca tinha visto nenhum filme de Bette Davis. Mas não me apedrejem ainda! Mereço o perdão dos Deuses do Cinema porque agora que conheço o trabalho desta Grande Senhora, até me atirava ao chão para lhe beijar a campa. Só há uma palavra que pode descrever a qualidade do desempenho de Bette Davis neste filme: Excepcional. E mesmo esta não transmite adequadamente a magnitude, o brilhantismo, o talento que Bette Davis encarna.

Apesar de ao ver The Nanny sermos quase ofuscados por Bette Davis, o resto do elenco é igualmente maravilhoso, com especial destaque para William Dix, o rapazinho perturbado extremamente convincente que me arrancou uma gargalhada ligeiramente despropositada com a frase "Can you sack her, then? Please?" Pamela Franklin, que, sim!, entrou em The Innocents também, está excelente. Merece elogios especiais por ter entrado em dois filmes que eu adoro, mas esses não os vou escrever para vos poupar à seca.

The Nanny é precisamente o meu tipo de filme. O ambiente é tão tenebroso que não se recomenda a crianças ou pessoas mais facilmente impressionáveis. E daí, com o lixo que agora se faz dentro do"infame" género do Terror, o público está tão mal habituado que é capaz de nem achar grande graça a este filme. Mas eu digo-vos, The Nanny é simplesmente um dos melhores filmes que já vi na vida, e sem dúvida o melhor que já vi este ano. Entrou directamente para o meu top pessoal, estando ao nível de The Innocents, o que é dizer bastante.

Aconselha-se vivamente. 10/10 (e mais teria se mais houvesse)

sábado, fevereiro 10, 2007

Babel (2006)

Sete nomeações para Oscar, incluindo melhor filme e melhor argumento original. É por estas e por outras que acho que a Academia está senil. Não que Babel não seja um filme bom, até é razoável, e não que a história não esteja bem escrita, porque tirando uma coisa ou outra até está. No entanto... a palavra que aqui se adequa é "overrated".

Classificação? 7.5, arredondado para baixo. 7/10.


ESTE POST CONTÉM SPOILERS (e é grande que se farta)


Babel são três histórias que se entrecruzam: Japão, Marrocos e México. A história do México é a melhor na generalidade. Não há incoerências, e tem uma das cenas mais poderosas de todo o filme, quando a ama deixa os miúdos no deserto. A sensação de angústia nessa cena está muito bem conseguida. Thumbs up especialmente para o rapazinho, Nathan Gamble, pelo seu "I'm not staying here alone".

A história de Marrocos é interessante, e tem a outra Grande Cena do filme, quando o rapaz se entrega às autoridades. O filme levanta algumas questões sobre a diferença de culturas: que polícia é aquela que não hesita em disparar contra duas crianças, nem em espancar um casal, e que educação têm aqueles miúdos que acham que carros numa estrada são alvos perfeitamente aceitáveis para testar o alcance de uma arma?
Por último a história passada em Tóquio sobre a rapariga surda-muda, que dava um filme interessante se se explorassem melhor alguns aspectos, mas pareceu ser um bocado "metida à força". Apesar de ser a sequência em que se explora de uma maneira mais evidente o problema da comunicação, a ligação com o fio condutor de Babel é muito tremida, para não dizer muito pouco plausível.

Isto com a agravante de ser de todas a que tem o final menos satisfatório. Não o adivinhei, mas devo dizer que o final que eu tinha previsto era bem melhor: no papel ela contava a verdade sobre o assassínio da mãe pelo pai e depois atirava-se da varanda. Mas não. O que acontece na realidade não faz muito sentido. Porque mentiu ela ao polícia quando falou sobre a morte da mãe? E para além de nos deixarem pendurados no assunto dessa morte (afinal o que é que aconteceu?), deixam-nos pendurados também no conteúdo da carta, o que muito me irrita porque parece uma jogada ao estilo de Lost In Translation mas falhada.
O problema de Babel é que se propõe a fazer algo que não consegue. Não sei se foi intencional ou não, mas há pontas soltas demais para o meu gosto. Começando pelo México: O que é que aconteceu ao Santiago? E as crianças? Desaparecem sem mais nem menos e apenas temos uma explicação à la "deus ex machina": estão bem, encontramo-las. Mas o que eu quero saber é como é que eles ficaram no deserto, porque é que sairam daquele sítio e como é que os encontraram. Como já disse, a cena em que ela os deixa é uma das melhores. Havia ali potencial que devia ter sido aproveitado, quanto mais não seja para dar ao espectador um fim plausível para aqueles dois miúdos.

Quanto ao que se passa em Marrocos, das três ainda é a sequência que tem o argumento menos esburacado, mas compensa com as cenas desnecessárias, das quais é exemplo máximo a protagonizada pelo Peeping Tom Junior na montanha. Não que eu ache que só deviam ser nomeados para grandes prémios como os Oscares filmes "politicamente correctos", mas aquela cena não serve nenhum propósito no filme e devia ter sido cortada. Não acrescenta nada à personagem, porque o que havia para ser dito sobre a maturidade do rapaz já tinha sido dito precisamente na cena "Peeping Tom", e havia outras maneiras eficazes de separar os dois irmãos de maneira a que a cena seguinte se mantivesse.
Também acho que não preciso de dizer que a cena de reconciliação definitiva entre o casal americano se torna ligeiramente ridícula pelo facto de ela estar a urinar para dentro de uma panela: é o que se chama anticlimático. Outro pormenor interessante é o pequeno twist cronológico do qual nos apercebemos no final. Apesar de ser um momento "ah! giro", a verdade é que é um bocado confuso, e se formos a ver bem a coisa, não é assim tão brilhante quanto isso.
Mas Babel comete outro grande pecado. Já o disse uma vez, e torno a dizê-lo: não é admissível um filme, ou qualquer outro tipo de entretenimento, incluir crueldade animal. Os animais não são objectos, não são "adereços", não são algo que podemos usar como bem entendermos. Cenas explícitas de crueldade animal, mais que chocantes, são bárbaras e retrógradas.
A cena da brutal decapitação de uma galinha não acrescenta rigorosamente nada ao filme. Não aprofunda a caracterização de nenhum personagem e não avança o enredo. É, em suma, o que se pode chamar, "palha". É triste que se tenha sacrificado uma vida em prol disso, e de uma forma tão mundana ainda por cima. E nem sequer sabemos se foi aquele o único take...
A galinha decapitada não é o único exemplo, porque também no segmento de Marrocos a crueldade animal prossegue. A realidade pode e deve ser retractada, mas para se dizer "vida rural" não é estritamente necessário ter uma cabra esfolada pendurada por uma pata. Para o destaque que este"adereço" tem no ecrã, só tenho a dizer que é triste o desperdício de mais uma vida para tão pouco.

Babel não foi supervisionado pela AHA ou por qualquer outra entidade equivalente (lembram-se do famoso "no animals were harmed in the making of this movie"?), o que significa que os animais neste filme, foram, de facto maltratados. Esta razão sozinha é mais do que suficiente para me levar a desacreditar a Academia e Iñárritu.
Para terminar, resta-me dizer que o filme é mais longo do que o necessário. Se fossem eliminadas algumas cenas, e cortados alguns dos ramos do enredo, o resultado seria um filme melhor.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Stranger Than Fiction (2006)

Naquela tarde, Filipa percorria o habitual caminho até casa depois de um excelente bocado no lugar mágico que dá pelo nome de cinema. Ao contrário do que era habitual, o seu pensamento não se detinha em coisas mundanas, como o monte de lixo a alguns metros do caixote, e nem mesmo reparava na estranha ocorrência de nenhum cão ter ainda ladrado furiosamente à sua passagem como se pretendesse decepá-la à dentada. Não, naquela tarde a mente de Filipa ocupava-se apenas de profundas cogitações sobre Stranger Than Fiction, ou se preferirem o inferior título português, Contado Ninguém Acredita, um filme de Marc Forster com Will Ferrell, sobre um homem que um dia acorda e descobre que uma mulher narra a sua vida.

Quando ainda se encontrava no princípio da sua jornada, bastante antes da desagradável subida que todos os dias insistia em existir a meio do caminho, não se tinha ainda desenvolvido no pensamento desta rapariga nenhuma teoria de valor sobre este filme. É seriamente complicado comentar seja o que for quando nos encontramos ainda enlevados pela genialidade do nosso objecto, por isso o leitor que não se apresse a fazer julgamentos sobre a capacidade de análise da nossa heroína. De qualquer modo, as conclusões não tardaram a chegar. De todas, a primeira e possivelmente também a menos relevante para o público em geral, será talvez o desejo que se instalou no coração de Filipa de produzir algo semelhante, qualquer coisa igualmente deliciosa e original, e, se as Musas estivessem de acordo, exactamente com o mesmo tom de gracejo que apenas aqueles versados no passatempo de contar histórias podem perceber.

Mas esses são pensamentos e desejos para outras alturas, nomeadamente alturas em que não se fazem exames, por isso deixemo-los no íntimo da nossa protagonista e concentremos a nossa atenção nas outras conclusões produzidas. Por exemplo, que Maggie Gyllenhaal provavelmente encontrou um génio da lâmpada e lhe pediu o poder da omnipresença cinematográfica. Ou que quem viu The Incredibles – Os Super Heróis vai certamente sorrir numa determinada cena. Ou ainda que Ana Pascal é certamente vegan, porque nenhuma personagem assim pode não o ser (e neste ponto é convenientemente ignorada a referência ao rolo de carne, que de qualquer maneira também não era muito importante).

Sim, Filipa estava no bom caminho dos comentários, mas, como diz o velho ditado etíope, nem tudo o que é bom dura sempre. Talvez a muito-pouco-amada subida tenha tido alguma influência, mas o facto é que as profundas reflexões sobre a maravilhosa história foram aos poucos ensombradas por uma súbita e terrível percepção: é o destino de todos aqueles que vêem muitos filmes adivinhar o final, ou pelo menos, ter um forte palpite. Esta conclusão, como certamente se pode imaginar, trouxe tristeza ao coração de Filipa. Estará ela destinada a nunca ser totalmente surpreendida no cinema? Apenas o futuro o dirá.

A jovem rapariga, estimulada por vinte minutos de caminhada e pensamentos, chegou finalmente a casa. Sentou-se de imediato ao computador, pronta a escrever um extraordinário elogio ao filme no seu blog, para que todos os seus leitores se vissem irremediavelmente possuídos de uma vontade inabalável de ir ver Stranger Than Fiction ao cinema mais próximo.

A página estava aberta. Os dedos agitavam-se por cima do teclado, querendo tocar as teclas. Mas nada acontecia.

Filipa levantou-se e deu uma voltinha pela divisão. Espreitou para debaixo da cama e viu dentro do armário. Em vão; a Musa não estava em parte alguma. Como todos sabemos, quando as Musas não querem ser encontradas ninguém as encontra mesmo, já dizia Platão. Assim sendo, fazendo bom uso do seu tempo e paciência, Filipa desistiu da brilhante crítica que ia escrever e foi antes ao IMDb votar 10. Não se espante o leitor com esta classificação, porque ao contrário do que alguns professores pensam, as notas altas são mesmo para ser dadas.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Sinbad and the Eye of the Tiger

Descobri o filme que quero ver a seguir. Digam lá se não parece ser uma coisa mesmo fixe.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Cold Creek Manor (2003)

Vi ontem o filme Cold Creek Manor (A Casa de Campo), com Dennis Quaid, Sharon Stone e Stephen Dorff. Estava meio reticente, admito. Primeiro porque implicava deitar-me as duas da manhã, o que por sua vez implicava acordar hoje tardíssimo e possivelmente perder uma manhã de estudo, e porque o meu fiel imdb dá a este filme a ranhosa classificação de 4.8/10. Mas depois pensei, caramba Dennis Quaid? Sharon Stone? Stephen Dorff? Não há-de ser uma trampa, de certeza! E não é mesmo. Tirando talvez a banda sonora. A certa altura aquele TAN TAN TAN já me irritava.

Note to self: Duvidar sempre do imdb.

A história é interessante. Não quero dizer muita coisa porque é mais giro se virem sem saber nada, mas posso dizer que é uma família que vai viver para o campo numa herdade mais ou menos do tamanho de uma aldeia. Evidentemente, há coisas estranhas por lá. Ao contrário do que possam pensar, esta não é uma história de fantasmas. Estou a dizer isto só para não vos acontecer o mesmo que a mim, que a meio do filme ainda estava a pensar quando é que entravam os fantasmas. Este não é um filme de terror, nem sobre coisas paranormais; é apenas um thriller. "A Terrific Thriller".

Pormenor interessante #1: O momento Kate. Adoro adoro adoro quando isto acontece. GET OUT OF MY HOUSE!

Pormenor interessante #2: O momento hey-podia-ser-um-momento-Shining-mas-não-é. Martelo/Machado + porta = "Here's Johnny!" Esta é uma equação que nunca falha. E quando não é explicitada no ecrã, o espectador vai certamente pensar nela, e possivelmente dizer "Here's Johnny" na solidão da sua sala só para compensar (guilty).

Facto #1: Estou a ficar demasiado boa a adivinhar finais. E não, não foi por o filme ser previsível, mas porque finalmente interiorizei o conceito de foreshadowing no cinema e não o consigo tirar da cabeça e prevejo tudo. Mas quando, consistentemente aos 10 minutos de filme já se adivinhou como vai ser a cena final, a coisa torna-se um bocado irritante.

Facto #2: Metade deste post não faz sentido para quem não tiver visto o filme. Por isso vejam, e depois voltem ao post. E já agora votem no imdb também. Este filme merece mais do que 4,8.

segunda-feira, novembro 06, 2006

Momento Suntory #37: Culto

Marie Antoinette.

Podia escrever um longo post sobre a genialidade deste filme, dissertar sobre a deliciosa experiência que é vê-lo, sobre o talento indiscutível de Sofia Coppola ou sobre Kirsten Dunst que conquistou oficialmente o meu coração. Podia falar sobre sapatos, bolos, bailes de máscaras, ópera e vestidos, leques, festas, sobre Versailles, sobre os jardins...

Mas não tenho tempo para isso. Transformei o meu armário num altar de culto e tenho agora que ir fazer uma dúzia de bolos cor de rosa para a primeira oferenda.

sexta-feira, setembro 15, 2006

Momento Suntory #33

Mrs. Kendal: Why, Mr. Merrick, you're not an elephant man at all.
John Merrick: No?
Mrs. Kendal: No... you're Romeo.

O Homem Elefante, David Lynch (1980)